Como um Visionário Brasileiro criou Carros Elétricos 50 Anos Antes de Virarem Moda

João Augusto do Amaral Gurgel foi um daqueles brasileiros que ousaram sonhar grande. Enquanto o mundo todo ainda via o Brasil como consumidor de tecnologia, ele acreditava que também poderíamos criá-la.
Visionário, engenheiro e empreendedor raiz, João Gurgel fundou em 1969, a Gurgel Motores, a primeira montadora 100% nacional. Com garra, criou carros com tecnologia própria, sem depender de multinacionais ou importações.
Uma Ideia á Frente do Seu Tempo
Em 1974, Gurgel lançou o Itaipu, um carro elétrico, compacto e funcional. Isso mesmo: um veículo 100% elétrico feito no Brasil, 34 anos antes de Elon Musk apresentar o primeiro Tesla ao mundo. O primeiro carro elétrico lançado pela Tesla de Elon Musk foi o Tesla Roadster, que começou a ser entregue aos primeiros clientes em fevereiro de 2008.
Curiosamente, o primeiro exemplar produzido foi entregue ao próprio Elon Musk
Na época do Itaipu, Musk tinha apenas 3 anos de idade.
“Gurgel criou um carro elétrico quando o mundo ainda nem discutia mobilidade limpa.”
O Itaipu era leve, compacto e ecológico. Tinha dois lugares, autonomia modesta, e foi testado até por empresas públicas. Mas, num país sem incentivos à inovação nacional, o projeto foi ignorado, e logo engolido pelas dificuldades da época.

Um Brasil que não Estava Pronto
O problema nunca foi falta de visão. O problema era o ambiente. Faltou apoio do governo, incentivo à indústria nacional e fomento à pesquisas.
Enquanto isso, multinacionais recebiam benefícios para importar modelos prontos.
Mesmo assim, a Gurgel:
✔️ Produziu aproximadamente 40 mil veículos
✔️ Criou o Plasteel, material híbrido inovador
✔️ Lançou o primeiro carro popular brasileiro (BR-800)
✔️ Exportou veículos para a Europa e América Latina
✔️ Foi pioneira em tecnologias de tração e resistência
Um Visionário que o Tempo Ainda vai Reconhecer

“Se o Brasil tivesse apoiado Gurgel como os EUA apoiaram Musk, talvez o Brasil fosse hoje referência mundial em carros elétricos.”
João não era apenas um engenheiro. Ele era símbolo de um Brasil que ousava. Um país que poderia ter liderado o mercado de carros elétricos.
Mas a falta de visão de quem podia ajudar fez com que a Gurgel fechasse as portas em 1994.
Ele faleceu em 2009, sem ver seu legado reconhecido. Mas, aqui no Empresariando, a gente acredita que histórias como a dele precisam ser contadas.
O que Faltou não foi Coragem
João Gurgel teve coragem de sobra. Desafiou o senso comum, enfrentou um mercado fechado e apostou em um futuro elétrico quando ninguém sequer cogitava isso. Foi pioneiro. Visionário. Brasileiro 🇧🇷.
Mas o que faltou não foi coragem.
Faltou apoio, do governo, das instituições e também… do próprio povo.
Talvez fosse uma ideia grande demais para o seu tempo. Talvez o Brasil ainda não estivesse preparado para reconhecer a grandiosidade de um inventor que queria competir com multinacionais usando fibra de vidro e a criatividade.
Gurgel não perdeu para a tecnologia. Perdeu para a falta de visão coletiva e para o ceticismo. Para a ausência de incentivo em um país que costuma aplaudir seus gênios só depois que eles fazem sucesso lá fora.
Mais do que homenagem “UM ALERTA”

Hoje, lembrar da história de João Augusto do Amaral Gurgel não é só uma homenagem, é um alerta. A inovação não nasce só no Vale do Silício. Ela pode nascer aqui, em uma oficina no interior, na cabeça de alguém que não tem medo de desafios.
Que a próxima ideia revolucionária brasileira não seja silenciada pela descrença. Que não falte o apoio de uma nação que precisa aprender a acreditar nos seus próprios gênios.
O que aprendemos com isso?
A história de Gurgel é mais do que memória. É lição. Mostra como a falta de incentivo e de confiança pode enterrar grandes ideias. Enquanto outros países investiam pesado em pesquisa, desenvolvimento e proteção à sua indústria, o Brasil deixava um visionário lutar sozinho.
Nos Estados Unidos, empresas como Tesla, Apple e até a própria indústria bélica tiveram suporte de políticas de incentivo, linhas de crédito e ambiente favorável para crescer. No Brasil, Gurgel enfrentou a burocracia, a descrença e a competição desigual contra multinacionais que recebiam incentivos para importar.
Carros elétricos, transição energética, ESG. Tudo que está na moda hoje já estava no radar de Gurgel há 50 anos. Ele não estava errado. Estava apenas adiantado demais para um país que ainda não aprendeu a acreditar nos seus. E tem outro problema: valorízamos demais o que vem de fora e desprezamos o talento que cresce aqui dentro. Enquanto não aprendermos a apoiar nossos visionários, vamos continuar perdendo nossas melhores ideias para a falta de crença e de incentivo.
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